Afinal, o Homem de Bem é fiel. Eis aí sua nobreza. A Fidelidade, por sua vez, é virtude que se iguala à Sinceridade. Sinceridade é par perfeito da Justiça. A Justiça é a expressividade, raciocinada, da Verdade.
O Homem que é Fiel cultiva na Amizade o caminho-meio de comungar com a Harmonia, tomado por seu impulso pacífico, equinânime, equilibrado.
O Homem Fiel e Amigo é de fato um ser responsável e assim procura ser. Responsável para consigo, responsável para com os seus, responsável para com o meio. O que seria, de fato, do exercício da Fidelidade e da Amizade sem o senso direcionador da mente esclarecida, universalmente consciente da Causas e seus Efeitos, compenetranada, abnegada, laboriosa, disciplinada, vazia de Si e cheia da Presença do Amigo?
O Homem Fiel, Amigo, Responsável é um ser paciente. Ele sabe que nada, no Universo, se faz sem a autorização do Tempo.
Ele sabe que o Real está de pleno acordo com as Leis Cósmicas. E ele espera. Espera como quem planta sementes no deserto, dia após dia, sozinho e silente, guardando em seu silêncio a palavra que sai e a palavra que volta. Ele espera por que sabe que Tudo, inclusive o Tempo, conspira a favor. O Homem Fiel, Amigo, Responsável e Paciente sabe ser Prudente. O que é a Prudência senão a expressão conjunta da Paciência, Responsabilidade, Amizade e Fidelidade? Seria ela o tino, a sensatez, a cautela, o bom senso, ou o discernimento, sempre calmo e moderado, a refrigerar os sentimentos, idéias, e emoções humanos quando, principalmente, aquecidos pelas influências externas.
Tal Homem reúne, pois, em si além do espírito de Verdade, Amigo, Responsável, Paciente e Cauto, a Modéstia e a Fortaleza. A primeira, por ser manifestação do espírito simples, parcimonioso e comedido. A segunda, por ser expressão da certeza, fé, confiança, coragem, segurança e firmeza. É o espírito simples que amainará, por fim, a firmeza com a sua serenidade. Sereno e Forte. Modesto e Firme.
O Homem de Bem é tolerante. A Tolerância ou Temperança é virtude de um coração incondicionalmente compreensivo e suave.
Certamente, o Paraíso não abrigaria um homem intolerante, que se exaspera, se irrita e agride aos seus naquilo em que pensa não ser atingido mas que mal levemente tocado é prontamente ferido.
E o que seria do Homem de Bem se não fosse ele um ser de reverência? Respeito por si mesmo, respeito pelo próximo, respeito por tudo o que há disposto em cima e embaixo, é o lema e conduta de um sábio. A reverência é sinal de cautela, compreensão, tolerância e humildade.
Humildade! E, por fim, a Humildade! Sim, esta divina virtude do coração de um ser iluminado! O Homem de Bem, que é Fiel, Amigo, Responsável, Paciente, Prudente e Modesto, Forte, Tolerante e Respeitador, não poderá levar adiante tudo o que é se não possuir a chama sagrada da Humildade no Templo de sua Alma. Sem a Humildade, tudo o que o homem diz ser e tudo o que faz acabam sendo utilizados por ele como artifícios para erguer-se acima dos seus a custa do rebaixamento destes, ou como riquezas únicas sobre as quais ele, e somente ele, possui direito ou privilégio. O orgulho é uma trave no olho da alma do homem ignorante, pois o sábio conhece a própria beleza mas esconde-se de si mesmo e do olhos do mundo, ao passo que aquele que ignora a verdade e muito pouco conhece de si se ufana bramindo, aos quatro cantos da terra, as qualidades e virtudes que tem como troféus e relíquias. Ou, tanto pior: o homem orgulhoso faz de si mesmo um troféu que ostenta, solenemente, ao mundo. A Humildade está no fim mas, nunca deixou de estar no princípio e durante todo o processo. O verdadeiro Homem de Bem, o sábio homem, sabe bem.
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